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      <title>
      O pseudo-totalitarismo positivista
    </title>
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   </head>
   <body>
      <h1>
            O pseudo-totalitarismo positivista
          </h1>
      <p class="auteur">
         <a href="../index.xml#ArthurLacerda">Arthur Virmond de
      Lacerda Neto</a>
      </p>
      <p>
      Na história do Brasil há mitos, como o de que a nossa
      colonização operou-se com degredados e o de que a presença
      holandesa em Pernambuco foi superior à colonização lusa. São
      erros concernentes ao nosso período colonial. Já no tocante à
      fase republicana, há outro mito, insidioso e que deturpa
      completamente o significado do pensamento que poderosamente
      inspirou a fundação da república entre nós, e ao qual se
      imputa o advento dos regimes de 1937 (Estado Novo, de Getúlio
      Vargas) e de 1964 (regime militar).
    </p>
      <p>
      Refiro-me à influência do Positivismo de Augusto Comte e, em
      particular, à sua "ditadura republicana".
    </p>
      <p>
      De larga aceitação nos meios castrense e civil nos fins do
      século XIX e até meados do seguinte, o Positivismo, em sua
      vertente política, formula o conceito de "ditadura
      republicana", que a bibliografia brasileira, com certa
      freqüência, associa a totalitarismo, a despotismo, a tirania.
      É corriqueira, nos historiadores, nos sociólogos, nos
      articulistas, a asserção de que os positivistas aspiravam a
      uma ditadura republicana, asserção que os autores
      desacompanham da mais mínima explicação do seu significado,
      por ignorância ou por consciente má-fé, o que sugere ao
      leitor, de modo sub-reptício, aquela equivocada associação e,
      de conseqüência, ojeriza pelo Positivismo.
    </p>
      <p>
      Ora, nos meados do século XIX, quando Comte produziu a sua
      obra, o termo "ditadura" não apresentava o cariz depreciativo
      e odioso de que passou a revestir-se depois. Ao tempo,
      ninguém o vinculava com regimes liberticidas, com a supressão
      das liberdades de expressão, de imprensa, de reunião, de
      protesto, de parede. Ao contrário, ele achava-se vinculado
      sobretudo à ditadura romana, regime em que alguém ascendia a
      uma magistratura poderosa pela qual enfrentasse uma situação
      socialmente excepcional, que requeria uma excepcional e
      transitória concentração de autoridade em quem a exercia.
      Longe de encarnar um déspota, o ditador romano correspondia a
      uma autoridade consentida e legítima.
    </p>
      <p>
      Comte não adotou o vocábulo ditadura como equivalente de
      totalitarismo porque não foi este o seu intuito e porque, se
      o tivesse feito, não teria sido entendido assim, não o
      poderia ter sido, dado que então a sua acepção não era esta.
      É claro que ele não poderia ter adivinhado que, com o andar
      dos tempos, o significado desta palavra cambiaria para o
      atual. Com efeito, segundo Pedro Laffitte, sucessor de Comte,
      ele "não dá de modo nenhum à palavra ditadura o sentido de
      poder pessoal absoluto que se lhe atribui" (LACERDA, 2003:
      29).
    </p>
      <p>
      O "dictare" latino (ato de enunciar palavras que alguém
      escreve), empregado em sentido figurado, originou o verbo
      ditar, ato de prescrever, ordenar, impor algum mandamento.
      Ditador é quem dita e ditadura é a ação de ditar,
      independentemente do regime político e da forma governativa
      correspondentes: são igualmente ditaduras os governos
      presidencialistas, parlamentaristas, republicanos,
      monárquicos, despóticos, fascistas, democráticos e quaisquer
      outros. Tenha o nome que tiver, radique-se em um único
      indivíduo ou em uma assembléia, esteja ou não distribuído por
      entre os chamados poderes legislativo e executivo, há,
      sempre, um órgão que emite determinações de cumprimento
      obrigatório por toda a sociedade, ou seja, em todos há uma
      fonte do ordenamento jurídico. Tal fonte encarna o ditador e
      portanto todo governo é ditadura e todo governante é ditador.
      Neste sentido figuram o substantivo e o adjetivo ao longo de
      toda a obra de A. Comte.
    </p>
      <p>
      Contudo, nem toda ditadura é republicana, nem toda ditadura
      corresponde à concepção positivista. A ditadura republicana
      significa um governo 1) republicano e não monárquico, 2) uma
      república presidencialista e não parlamentarista, 3) um
      presidencialismo temporal e não espiritual.
    </p>
      <p>
      Do primeiro ítem decorre a substituição das monarquias, forma
      de governo de base teológica (pois o monarca representa a
      divindade) e resquício do regime de castas (pois a família
      real encarna uma casta política); do segundo resulta a
      abolição das assembléias parlamentares, e o derradeiro
      justifica o prevalecimento de todas as liberdades públicas.
    </p>
      <p>
      Na ditadura republicana não há câmara parlamentar, porém
      tampouco há despotismo: ao invés de as leis fazerem-se em
      assembléias, fazem-se mediante a participação de toda a
      sociedade: apresenta o ditador o projeto de lei à sociedade
      em geral, que manifesta-se livremente, protestando contra
      ele, censurando-o, emendando-o, apoiando-o, enaltecendo-o.
      Após três meses, o ditador avalia as manifestações e retira,
      reforma ou mantém o projeto, tendo em vista o bem público. Em
      qualquer dos casos, submete a sua decisão à maioria dos votos
      do eleitorado das capitais. Aprovado o projeto, converte-se
      em lei. Há, pois, uma democracia direta, muito mais ampla do
      que a dos regimes parlamentares.
    </p>
      <p>
      Uma câmara de eleição popular elaborará a lei de meios e
      fiscalizará a gestão orçamentária do governo.
    </p>
      <p>
      Característica fundamental da ditadura republicana, sem a
      qual não há verdadeira república, ainda menos a positivista,
      traduz-se na instauração, na palavra do positivista ortodoxo
      Teixeira Mendes, "do mais vasto sistema de liberdades
      públicas a que jamais se possa aspirar" (LACERDA, 2003:73),
      mediante a separação dos poderes temporal e espiritual. Ou
      seja, o Estado administra o bem público, sem a mais mínima
      compressão das liberdades de expressão, de imprensa e de
      reunião. E mais as de associação, de ensino, de
      sindicalização, de parede e mesmo de insurreição, se
      necessário! A ditadura republicana respeita-as, não as
      comprime e não interfere em questões de consciência,
      pertinentes à esfera do pensamento, em qualquer das suas
      formas.
    </p>
      <p>
      Por isto "a Ditadura Republicana não originou nenhuma forma
      de autoritarismo, muito pelo contrário, combateu, combate e
      combaterá sempre a todas elas, venham de onde vierem, da
      direita e da esquerda", assevera o positivista ortodoxo Luis
      Carlos Corrêa da Costa (LACERDA, 2003: 32).
    </p>
      <p>
      Segundo ele, "nem a Ditadura Republicana, nem o Positivismo,
      nem Augusto Comte têm nada a ver com o autoritarismo, e
      aqueles que responsabilizam o Positivismo pelos arreganhos
      autoritários que abalaram o mundo, o fazem por ignorância ou
      má-fé" (<em>idem)</em>.
    </p>
      <p>
      Augusto Comte: "uma plena liberdade de exposição e mesmo de
      discussão é indispensável como garantia permanente contra a
      degeneração de uma <em>ditadura</em> empírica em uma
      <em>tirania</em> retrógrada" , "como garantia da
      <em>ordem"</em> (itálicos meus) (LACERDA, 2003: 84/5).
    </p>
      <p>
      Longe de a "ordem" positivista equivaler à "ordem"
      policialesca, ao Estado autoritário e repressivo, no
      Positivismo ela identifica-se com todas as liberdades.
    </p>
      <p>
      Apesar disto tudo, criou-se no Brasil o mito de que o
      Positivismo apresenta índole autoritária, de que equivale a
      um quase-totalitarismo e de que os regimes de Getúlio Vargas
      e de 1964 foram positivistas, como aplicações nacionais dos
      preceitos positivistas. Em nada disto há o menor fundamento.
    </p>
      <p>
      Se Getúlio tivesse sido positivista de fato, jamais ter-se-ia
      convertido em tirano em 1937, jamais teria, sobretudo, criado
      um departamento de propaganda e censura para benefício seu,
      em que o temporal assumiu funções espirituais ao mesmo tempo
      em que coibiu as liberdades tão caras ao Positivismo.
    </p>
      <p>
      Assim exprime-se o positivista gaúcho Mozart Pereira Soares,
      aludindo a Getúlio: "Muitos, equivocadamente, arrolam-no como
      positivista ou, no mínimo, simpatizante. A verdade é que nem
      isso ele o foi. [...] Foi um permanente revolucionário,
      opondo-se às diretrizes de Comte. [...] Com ele, a influência
      política do Positivismo se extingue no Estado" (SOARES, 1999:
      176).
    </p>
      <p>
      Atente-se: com ele, a influência política do Positivismo não
      se prolonga, não se mantém, não se afirma, porém, ao
      contrário, <em>extingue-se</em>! Desta extinção teria
      resultado que o Estado Novo correspondeu à aplicação, em
      âmbito nacional, da política positivista? É evidente que não.
    </p>
      <p>
      Outro positivista, ortodoxo, Rubem Descartes de Garcia Paula,
      assim se exprime, referindo-se ao Estado Novo: "Regime que o
      velho Getúlio e seus escribas insinuavam como sendo inspirado
      no Castilhismo e, conseqüentemente, no Positivismo.
      (<em>Bobagens, ainda hoje repetidas por outros
      "desconhecedores da história" e que não passam de
      patranhas)</em> [...] sobretudo a partir de 1937, quando
      assumiu a ditadura fascista-integralista, Getúlio
      <em>renegou, esqueceu-se do que sabia do Positivismo e das
      ligações que tivera com a obra de Castilhos</em>." (itálicos
      meus) (PAULA: 1982:68).
    </p>
      <p>
      Exceto a sua obra trabalhista, esta sim, de inspiração
      positivista, devida à influência do positivista Lindolfo
      Collor, o estado novo "não passou do ramerrão narcisista; ora
      obscurecido pela opressão, ora sacudido pela violência da
      repressão! O que não impedia seus partidários - como
      <em>ainda hoje repetem tardios escribas</em>- de dizerem que
      a ditadura estado-novista se inspirava ou equivalia à
      Ditadura Republicana. O que, conforme com o acima exposto,
      <em>é incontestavelmente falso!".</em> (<em>idem, 69).</em>
      </p>
      <p>
      No governo de Getúlio Vargas, instaurado em 1930, havia três
      positivistas: 1) o gen. Manoel Rabelo, interventor em S.
      Paulo até 1932 e que, em 1935, em nome da maioria do
      exército, recusou o aumento de soldo que Getúlio oferecera à
      corporação, 2) Lindolfo Collor, que, Ministro do Trabalho,
      abandonou a pasta ao, em 1932, empastelar-se o "Diário
      Carioca", em atentado à liberdade de imprensa congeminada com
      o beneplácito presidencial, e 3) o gen. Tasso Fragoso, que
      demitiu-se de Chefe do Estado Maior do Exército ao receber
      ordem presidencial de bombardear a cidade de S. Paulo. Não há
      memória de que qualquer dos três haja sido o mentor, o autor
      ou o apoiador de nenhum ato liberticida praticado por
      Getúlio.
    </p>
      <p>
      Tendo a revolução de 1930 revogado a constituição vigente,
      despontou o movimento pela reconstitucionalização do país, do
      qual foi um dos cabeças o positivista general Lauro Sodré.
      Pela restauração de uma Carta Maior no Brasil, pegou em armas
      contra Getúlio, em 1932, ninguém menos do que o positivista
      Borges de Medeiros, sucessor de Júlio de Castilhos e de quem
      Getúlio fora secretário de Estado. Este reagiu prendendo-o e
      desterrando-o em Pernambuco por dois anos.
    </p>
      <p>
      Se a estes positivistas animassem inclinações autoritárias,
      teriam apoiado a ausência de uma constituição, ao invés de
      pugnarem pela sua instituição, cujo efeito foi o de
      regulamentar os poderes presidenciais, tornando-os, de
      arbitrários e ilimitados, em circunscritos e legais, o que
      correspondia exatamente aos seus propósitos, ou seja, aos de
      evitar o despotismo.
    </p>
      <p>
      Mais: durante o Estado Novo não havia <em>nenhum</em>
      positivista nos quadros de confiança do regime, ou seja,
      dentre o pessoal propriamente político, responsável pela
      orientação do regime. Havia, ao contrário, um
      anti-positivista militante, o general Góes Monteiro, que
      anelava pelo afastamento, do Exército, da mentalidade
      pacifista e libertária do Positivismo e que, não por acaso,
      foi um dos mentores da instauração da tirania em 1937.
    </p>
      <p>
      Em 1945, a propósito da eleição presidencial, disputada pelo
      gen. Eurico Gaspar Dutra, candidato getulista, e pelo
      oposicionista brigadeiro Eduardo Gomes, o positivista
      ortodoxo Carlos Torres Gonçalves, antigo quadro de confiança
      de Borges de Medeiros, assim escreveu: "Entre os concorrentes
      admissíveis, nossa preferência tem de ser pelo que professe
      maior número de postulados republicanos: [entre os quais]
      mais respeito pelas liberdades civis e políticas.
    </p>
      <p>
      Neste momento, dois dois candidatos, um sendo
      <em>corresponsável do regime liberticida estabelecido em
      1937, está excluído pelos princípios republicanos</em>
      </p>
      <p>
      O outro, <em>dando-nos a esperança da restauração de nossas
      tradições de liberdade[...] é o que desperta a nossa
      simpatia"</em> (itálicos nossos).
    </p>
      <p>
      Ao regime militar brasileiro de 1964, Garcia Paula qualifica
      de<br clear="none"/>
      "Ditadura fascista que reapareceu como fruto maligno do golpe
      militar de 1º de março de 1964". Atente-se à sua adjetivação:
      ditadura fascista que reapareceu como fruto maligno em 1964,
      e não ditadura republicana que tivesse reaparecido como fruto
      benigno naquele ano. O mesmo autor alude também ao "clima de
      obscurantismo e de terrorismo, forma de subversão contra o
      povo, implantada em nossa Pátria, sobretudo como efeito do 2º
      golpe -o de 1968 - e seu famigerado AI-5!" (<em>idem,
      61).</em> Não teria julgado nestes termos o regime militar se
      este exprimisse a ditadura republicana.
    </p>
      <p>
      Não entro no mérito de se o movimento de março de 1964 veio a
      propósito ou a despropósito, se o seu anti-comunismo era
      louvável ou não. O que me importa caracterizar é a falsidade
      da filiação entre o Positivismo e a supressão das liberdades
      verificada durante o regime militar instaurado então.
    </p>
      <p>
      Mais: comparando tal regime, do Brasil, com as tiranias de
      Napoleão, de Mussolini, de Hitler e de Salazar, afirma: "de
      todos os países em que a <em>odiosa ideologia</em> grassou e
      grassa; aquele em que ele - o <em>fascismo-</em> causou menos
      desgraças foi aqui.[...] Mas por que foi o fascismo aqui
      menos brutal? Dentre outras razões [...] <em>porque [...] o
      Brasil foi aquele em que, por contrapartida, o Positivismo
      exerceu e, conquanto diminuída, exerce uma benéfica
      influência moderadora." (idem</em>, 63/4; itálicos nossos).
    </p>
      <p>
      É de lembrar também os inúmeros protestos do Clube
      Positivista contra os atos liberticidas praticados pelo
      regime de 1964, protestos muitos deles formulados por Ruyter
      Demaria Boiteux, positivista ortodoxo e general do Exército
      brasileiro.
    </p>
      <p>
      Também positivista ortodoxo, David Carneiro, o moço, travou,
      em 1990, acesa polêmica no Centro Positivista do Paraná, ao
      declarar que o movimento de 1964 fora obra da "parcela mais
      atrasada do exército", referindo-se à supressão das
      liberdades públicas que encarecia.
    </p>
      <p>
      Ouçamos o positivista ortodoxo Vice-almirante Alfredo de
      Morais Filho: "A partir do golpe de Estado, dado por Getúlio
      Vargas, em 10 de novembro de 1937, que instituiu o Estado
      Novo, aumentou a tendência a se considerar o positivismo uma
      doutrina autoritária, ou melhor, despótica.
    </p>
      <p>
      Depois de outra revolução, a 1964, os sociólogos brasileiros,
      em suas apreciações, ligaram os dois movimentos à mesma
      doutrina, o castilhismo.
    </p>
      <p>
      Estas apreciações, são, porém, <em>falsas</em>, decorrentes
      do desconhecimento da doutrina política positivista.
    </p>
      <p>
      O Estado Novo foi uma aplicação do fascismo para resolver,
      naqueles anos, a complicada situação brasileira, proveniente
      das várias revoluções e envolvida pela difícil situação
      internacional.
    </p>
      <p>
      Quanto à revolução de 1964, também foi inspirada no
      nazi-fascismo [...] nada tendo com a nossa doutrina.
      <em>Ambas agiram contrariando princípios fundamentais
      positivistas" (</em>itálicos meus).
    </p>
      <p>
      Refere-se ainda à "lamentável injustiça dos críticos do
      positivismo, quando consideram Júlio de Castilhos o avô e
      Getúlio Vargas, o pai do autoritarismo".
    </p>
      <p>
      E pergunta-se: "Como podem os intelectuais brasileiros
      distorcerem a nossa doutrina, procurando os de esquerda,
      apresentá-la como fascista e os de direita, como comunista?".
      E responde: "<em>O que há, é má-fé e ignorância"
      (</em>itálicos meus).
    </p>
      <p>
      Ruben Descartes de Garcia Paula, David Carneiro, Ruyter
      Boiteux e Alfredo de Morais Filho, todos quatro positivistas
      ortodoxos e oficiais de alta patente os dois últimos, à
      unanimidade reprovaram os atos liberticidas do regime de
      1964, em cuja conotação autoritária não se pode, com verdade,
      enxergar nenhuma origem positivista.
    </p>
      <p>
      Após 1964 houve <em>um único</em> positivista no governo, o
      Almirante Ernesto de Mello Batista, ministro da Marinha do
      governo do Mal. Castelo Branco. Não foi o Almirante, decerto,
      nem o autor, nem o mentor dos atos liberticidas verificados
      após o mandato de Castelo Branco.
    </p>
      <p>
      Os atos autoritários dos regimes em foco deveram-se à
      mentalidade própria dos seus autores, da qual o Positivismo
      achava-se absolutamente ausente.
    </p>
      <p>
      A mistificação que atribui o autoritarismo de certos civis e
      militares pátrios ao Positivismo, corresponde a uma forma de
      eximí-los da responsabilidade pelos abusos dos regimes de
      1937 e de 1964. Elegendo o Positivismo como bode expiatório,
      inculpando-o como o inspirador da repressão às liberdades
      civis e políticas (cassações, torturas, continuísmo, censura
      etc.), conotando-o com o odioso de qualquer totalitarismo,
      alguns intérpretes intentaram exculpar os mentores daqueles
      regimes e os autores das suas violências: fizeram obra
      ideológica no sentido marxista, ou seja, conceberam uma
      formulação deliberadamente falsa, deturpadora do Positivismo,
      com que justificassem não o que o Positivismo prega e o que
      os seus adeptos aplaudem, porém exatamente o inverso disto.
    </p>
      <p>
      Refiro-me em particular (e a eles já Rubem Descartes aludia)
      às produções de Antonio Paim e de Ricardo Veléz Rodriguéz,
      anti-positivistas brasileiros, em que se encontra, nas do
      segundo, verdadeiro fanatismo, nas de ambos, a deliberação de
      denegrir o Positivismo à custa de má-fé e de equívocos
      grosseiros, em que se distorce a doutrina para achincalhá-la
      e despertar no leitor desprezo e repulsa por ela, como um
      ideário alegadamente ultrapassado, justificador da tirania e
      liberticida. Modelos de desinformação, as obras de ambos
      desfiguram a doutrina e a sua militância no Brasil,
      apresentando-as sob a forma de grotescas caricaturas.
    </p>
      <p>
         <strong>Arthur Virmond de Lacerda Neto</strong> é positivista
      ortodoxo.
    </p>
      <hr/>
      <p>
      COSTA, Luís Carlos Corrêa da. <em>O autoritarismo e a
      ditadura republicana, in</em> Anais da V reunião de
      positivistas: Belo Horizonte, 1982.
    </p>
      <p>
      GONÇALVES, Carlos Torres. <em>República e democracia.</em>
      Rio de Janeiro, 1945.
    </p>
      <p>
      LACERDA NETO, Arthur Virmond de. <em>A república
      positivista,</em> 3ª ed.: Curitiba, Juruá, 2003.
    </p>
      <p>
      MORAES FILHO, Alfredo de. <em>O autoritarismo, o positivismo
      e a república, in</em> Anais da VIII reunião de positivistas,
      Rio de Janeiro de 1986.
    </p>
      <p>
      PAULA, Rubem Descartes de Garcia. <em>O Positivismo, o
      Anti-Positivismo e o Fascismo</em>, <em>in</em> Anais da V
      reunião de positivistas: Belo Horizonte, 1982.
    </p>
      <p>
      SOARES, Mozart Pereira. <em>O Positivismo no Brasil.</em>
      Porto Alegre: Editora da Universidade do Rio Grande do Sul,
      1999.
    </p>
   </body>
</html>